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Depois de quase ser vendido, Cicopal cresce 35% neste ano

28 de setembro de 2017 às 11h09 |

O empresário Vanderlan Cardoso é mais conhecido por sua trajetória política depois de ter sido prefeito de Senador Canedo por dois mandatos e disputado eleições para governador (2010 e 2014) e para prefeito de Goiânia (2016). Até por conta de sua intensa atividade política, recentemente quase vendeu o Grupo Cicopal, empresa que criou em 1993. A negociação estava praticamente concluída, mas o empresário desistiu e “caiu para dentro” dos negócios. Depois de realizar uma profunda reestruturação administrativa nas fábricas, as vendas cresceram 35% neste ano.

“Foram praticamente 13 anos fora das empresas. Não reclamo, pelo contrário. Deus sempre foi bom para mim. Mas, encerrada a última campanha eleitoral, mergulhei novamente nos negócios e, de imediato, percebi a necessidade de promover a reestruturação, especialmente nas áreas de vendas e de distribuição, o que foi feito no início deste ano”, afirma Vanderlan Cardoso ao EMPREENDER EM GOIÁS. Não foi algo fácil. O empresário praticamente se viu sozinho na área comercial. “Puxei tudo para mim. Ninguém vendia um salgadinho sem a minha autorização. Quase fiquei louco”, admite.

Outra providência tomada por Vanderlan foi a de retomar pessoalmente os contatos com os principais clientes da sua empresa, em visitas diretas às maiores redes de supermercados e atacadistas do País. “Gosto de fazer isto. Vender é comigo”, frisa. Aos poucos o empresário montou novas equipes de vendas e de distribuição, afinadas com os projetos futuros do grupo, contratando profissionais experientes no setor industrial, especialmente em São Paulo, aproveitando que muitos buscavam recolocação no mercado.

“Este processo não foi totalmente concluído nas fábricas, mas os resultados já apareceram”, afirma Vanderlan. E como. No primeiro semestre deste ano, comparado com o primeiro de 2016, as vendas do Grupo Cicopal cresceram 35,4%. Isto em tempos de economia em recessão e de desemprego elevado no País. “Hoje dá gosto de entrar nas fábricas. Está tudo organizado”, orgulha-se.

O Grupo Cicopal começou em 1993 com uma pequena fábrica de salgadinhos em Brasília (DF). A capacidade era de apenas 200 quilos/hora. Hoje produz quase 200 itens diferentes de 12 marcas próprias em três fábricas: Senador Canedo (GO), Camaçari (BA) e Benevides (PA), com capacidade para 13 toneladas/hora. São 5 toneladas/hora de salgadinhos, 2 toneladas/hora de batatas, 2 toneladas/hora de biscoitos e quase 4 toneladas/hora de produtos derivados de trigo e milho. Na área de bebidas, é o terceiro maior fabricante no Pará. Emprega diretamente cerca de 1,5 mil funcionários e, se incluir distribuidores e terceirizados, envolve quase 4 mil trabalhadores.

A reestruturação nas empresas tem objetivo de preparar o Grupo Cicopal para a expansão. “Queremos, no mínimo, dobrar de tamanho até 2023. É o nosso planejamento”, afirma Vanderlan. A estratégia é montar modernas fábricas, de menor porte, em cidades-polo de Estados estratégicos para o Cicopal, aproveitando a matéria-prima local e os incentivos fiscais para produzir nos próprios mercados consumidores, com menor custo de distribuição e de impostos, tornando-se competitiva para ganhar mercados e crescer no País. “Planejamos abrir novas operações no Maranhão, em Minas Gerais e implantar outra fábrica na Bahia”, diz o empresário goiano.

Era de ouro
Vanderlan Cardoso nasceu em Iporá, em 1962, mas com dez anos de idade sua família mudou para Barra do Garças (MT) em busca de oportunidades. “Lá, ao ser informado por amigos que em Roraima havia terras muito baratas, meu pai (Osvaldino Cardoso) mudou em 1980 para Boa vista. Foi uma época muito difícil para a nossa família. Em 1982 montamos um restaurante, mas dois anos depois percebi que havia a oportunidade para abrir um atacado, onde vendia de quase tudo, principalmente para os garimpeiros da região”, diz.

Nesta época iniciava o boom da extração de ouro em Roraima, que teve seu ápice entre 1987 e 1991, quando 40 mil pessoas trabalhavam diretamente com a exploração do minério no Estado. Com a explosão demográfica em Boa Vista e o crescimento do seu atacado, Vanderlan Cardoso enxergou outra oportunidade em 1986: abrir um supermercado. “Haviam até concorrentes maiores, mas estavam acomodados. Não tinham interesse de vender hortifruti de melhor qualidade, nem oferecer novidades e produtos de maior valor agregado a preços atrativos. Foi quando percebi a oportunidade para crescer rápido”, diz. Em 1989 abriu o segundo supermercado na cidade.

Vanderlan ganhou muito dinheiro nesta época, mas trabalhou pesado para isto. O rápido crescimento dos seus supermercados se deu, principalmente, com as falhas dos concorrentes. “Se eu entrasse com o que todos os outros tinham, não iria ganhar mercado. Decidi comprar em grandes quantidades diretamente dos fabricantes e fretar aviões de carga para baixar para menos da metade o meu custo”, frisa.

O próprio empresário fazia as compras. Pegava um voo noturno da Varig para São Paulo para, no dia seguinte cedo, comprar verduras no Ceasa e depois passar pelos atacadistas e fábricas. Feitas as compras, alugava dois aviões cargueiros da Transbrasil para levar as mercadorias para Boa Vista. “Aproveitava o máximo dos espaços das aeronaves porque era um fretamento exclusivo. O que mais lembro era o frio danado nestes voos, porque a carga precisava ficar resfriada e eu ficava entre ela e a cabine dos pilotos. Fazia isto duas vezes em média por semana”, conta.

Com esta estratégia, Vanderlan ganhava em escala (maior quantidade a preços menores) e na logística (mais rápida por conta dos produtos perecíveis). Pagava US$ 38 mil em média por avião de carga fretado. “Naquela época aproveitava a alta inflação. Tinha 30 dias, depois da quinzena, para pagar o frete. Convertia para a moeda nacional e, depois de até 45 dias, o custo já tinha caído de 40% a 60%. Com isto os preços e qualidade dos meus produtos eram imbatíveis em Boa Vista”, afirma.

Retorno para Goiás
Em 1991 surgiu a oportunidade de comprar um galpão em Brasília para montar pequena indústria de salgadinhos. “Já não tinha mais como crescer em Boa Vista, a febre do ouro já havia passado em Roraima, estava cansado de lidar com supermercados e há tempos queria voltar para Goiás”, frisa Vanderlan.

Depois de instalar o maquinário e contratar o pessoal, o empresário inaugurava a primeira fábrica da Cicopal em 1993, num investimento de R$ 3 milhões em valores de hoje, para produzir os salgadinhos de marca Micos. Naquele mesmo ano vendeu os supermercados. Em 1996, mudou a fábrica para área de 2 mil metros quadrados em Senador Canedo e não parou mais de crescer. Entre 2001 e 2002, o Grupo Cicopal inicia a produção nas fábricas no Norte (Pará) e Nordeste (Bahia) do País.

“Vamos concluir uma nova fábrica na Bahia em área de quase 17 mil metros quadrados e já estamos planejando outras. Nunca paramos”, diz Vanderlan. “Existem muitas boas oportunidades de negócios em tempos de crise econômica, mas para quem está organizado e com as finanças controladas. Quem quer crescer na base de empréstimos ou tira o dinheiro do negócio para comprar imóveis ou carro importado, passa por dificuldades nas crises e não aproveita boas oportunidades que surgem”, ensina o empresário goiano.

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